Fim de tantas injeções intravítreas?
Se você ou alguém próximo faz tratamento com injeções intravítreas para doenças da retina, como a degeneração macular exsudativa, provavelmente já se perguntou se um dia seria possível diminuir a frequência dessas aplicações.
Axpaxli: Uma Revolução no Tratamento da Degeneração Macular Exsudativa
Se você ou alguém próximo faz tratamento com injeções intravítreas para doenças da retina, como a degeneração macular exsudativa, provavelmente já se perguntou se um dia seria possível diminuir a frequência dessas aplicações. Em 2026, um estudo inovador trouxe uma notícia animadora: a medicação Axpaxli mostrou resultados superiores ao tradicional aflibercepte (Eylea), prometendo intervalos maiores entre as injeções e mais conforto para os pacientes. Neste artigo, explico em detalhes o que muda com essa novidade, como funciona o novo medicamento, para quem ele é indicado e o que esperar do futuro dos tratamentos oftalmológicos.
O que são injeções intravítreas e para que servem?
As injeções intravítreas são aplicações de medicamentos diretamente dentro do olho, mais precisamente no vítreo, a substância gelatinosa que preenche o globo ocular. Elas são utilizadas principalmente para tratar doenças da retina, como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) na sua forma exsudativa, o edema macular diabético e outras condições que causam acúmulo de líquido ou neovascularização (formação de vasos sanguíneos anormais) na retina.
O objetivo dessas injeções é controlar o processo inflamatório e impedir a progressão da doença, preservando a visão do paciente. Apesar de serem muito eficazes, o tratamento costuma exigir múltiplas aplicações ao longo do tempo, o que pode ser cansativo e desconfortável.
Por que tantas injeções são necessárias?
A necessidade de repetir as injeções intravítreas se deve ao fato de que os medicamentos utilizados têm uma duração limitada dentro do olho. O aflibercepte (Eylea), por exemplo, normalmente requer aplicações mensais nas fases iniciais do tratamento, seguidas de tentativas de espaçamento progressivo, conforme a resposta individual de cada paciente.
Na prática, muitos pacientes acabam precisando de injeções frequentes, pois ao tentar aumentar o intervalo, a doença pode voltar a se manifestar, levando à piora da visão. Isso gera ansiedade, desconforto e até mesmo abandono do tratamento em alguns casos.
Quais são as principais medicações usadas atualmente?
Atualmente, os medicamentos mais utilizados para injeções intravítreas são os chamados anti-VEGF, como o aflibercepte (Eylea), o ranibizumabe (Lucentis) e o brolucizumabe (Beovu). Recentemente, chegaram ao Brasil opções como o Eylea HD (uma versão mais concentrada do aflibercepte) e o Vabysmo, que também atua em diferentes mecanismos da doença.
Essas novas opções trouxeram avanços, permitindo um pequeno aumento no intervalo entre as aplicações. Estudos de vida real mostraram que, em média, foi possível espaçar de uma a duas semanas a mais em relação ao tratamento padrão, mas ainda assim, a necessidade de múltiplas injeções permanece.
O que há de novo com o Axpaxli?
A grande novidade é a chegada do Axpaxli, uma medicação com mecanismo de ação diferente dos anti-VEGF tradicionais. Enquanto os anti-VEGF bloqueiam diretamente o fator de crescimento vascular endotelial (VEGF), o Axpaxli é um inibidor da tirosina quinase. Isso significa que ele atua em outra etapa da cascata de formação dos vasos anormais e do edema na retina.
Além disso, o Axpaxli é formulado em um hidrogel, não sendo uma substância totalmente líquida. Esse hidrogel permite que o medicamento seja liberado aos poucos dentro do olho, prolongando seu efeito e, potencialmente, aumentando o intervalo entre as injeções.
Como funciona o Axpaxli na prática?
No estudo SOL-1, que avaliou o Axpaxli, os pacientes receberam inicialmente duas injeções de aflibercepte, seguindo o protocolo padrão de dose de carga para estabilizar a doença. Em seguida, a terceira aplicação foi feita com aflibercepte ou com Axpaxli, dividindo os pacientes em dois grupos para comparação.
O resultado foi surpreendente: após 36 semanas, cerca de 74% dos pacientes tratados com Axpaxli mantiveram a visão dentro do nível esperado, enquanto no grupo do aflibercepte esse número foi de 55%. Isso indica não só maior eficácia, mas também a possibilidade de reduzir a frequência das injeções, trazendo mais qualidade de vida ao paciente.
Quais as vantagens do Axpaxli em relação aos tratamentos anteriores?
O Axpaxli representa um avanço significativo por vários motivos:
Possibilidade de intervalos maiores entre as injeções, reduzindo o desconforto e o risco de complicações;
Mecanismo de ação inovador, atuando em etapas diferentes da doença;
Maior chance de manutenção da visão a longo prazo, conforme demonstrado nos estudos;
Facilidade de adesão ao tratamento, já que menos visitas ao consultório são necessárias.
Para o paciente, isso significa menos ansiedade, menos dor, menos deslocamentos e mais tempo para as atividades do dia a dia.
O que muda no protocolo de tratamento com o Axpaxli?
O protocolo tradicional envolve três injeções mensais iniciais (dose de carga), seguidas de tentativas de espaçamento progressivo, conforme a resposta do paciente. Com o Axpaxli, espera-se que, após a fase inicial, seja possível aumentar significativamente o intervalo entre as aplicações, mantendo a eficácia do tratamento.
Isso pode ser especialmente benéfico para pacientes que, após uma melhora inicial, costumam apresentar recidiva do edema ou da degeneração macular, necessitando de aplicações frequentes. O Axpaxli pode ajudar a estabilizar esses casos por mais tempo.
O Axpaxli é seguro? Existem efeitos colaterais?
Até o momento, os estudos clínicos indicam que o Axpaxli apresenta um perfil de segurança semelhante ao dos medicamentos já utilizados. Como toda injeção intravítrea, há riscos de complicações, como infecção (endoftalmite), aumento da pressão intraocular e descolamento de retina, mas esses riscos são baixos quando o procedimento é realizado por um especialista experiente.
Os efeitos colaterais mais comuns são leves, como desconforto ocular temporário, sensação de corpo estranho ou vermelhidão. É fundamental seguir as orientações do seu oftalmologista e relatar qualquer sintoma diferente após a aplicação.
O Axpaxli pode ser usado para outras doenças além da degeneração macular exsudativa?
Embora o estudo SOL-1 tenha sido realizado especificamente para a degeneração macular exsudativa, há grande expectativa de que o Axpaxli também seja eficaz em outras doenças da retina, como o edema macular diabético. Novos estudos estão em andamento para avaliar sua segurança e eficácia nessas condições.
Isso pode ampliar ainda mais o benefício dessa medicação, trazendo esperança para pacientes que sofrem com outras doenças crônicas da retina e que também dependem de múltiplas injeções.
Como saber se o Axpaxli é indicado para o meu caso?
A decisão sobre qual medicação utilizar deve ser individualizada, levando em conta o tipo de doença, o estágio, a resposta aos tratamentos anteriores e as condições clínicas do paciente. O Axpaxli surge como uma excelente opção para quem apresenta dificuldade em manter o tratamento devido à frequência das injeções ou para casos em que o espaçamento com outros medicamentos não foi possível.
Converse com seu oftalmologista sobre as novidades e avalie juntos o melhor caminho para preservar sua visão e sua qualidade de vida.
O que esperar do futuro dos tratamentos para doenças da retina?
A oftalmologia está em constante evolução, e o surgimento de medicamentos como o Axpaxli mostra que estamos cada vez mais próximos de tratamentos menos invasivos e mais eficazes. O objetivo é sempre melhorar a qualidade de vida do paciente, reduzindo o número de procedimentos e aumentando a segurança e a eficácia das terapias.
Com o avanço das pesquisas, é provável que surjam novas opções nos próximos anos, com mecanismos de ação ainda mais específicos e duradouros. O acompanhamento regular com o especialista é fundamental para aproveitar essas novidades assim que estiverem disponíveis.
Dicas para pacientes que fazem injeções intravítreas
Se você faz ou vai iniciar tratamento com injeções intravítreas, algumas dicas podem ajudar:
Mantenha o acompanhamento regular com seu oftalmologista, mesmo que a visão esteja estável;
Relate qualquer sintoma diferente após a aplicação, como dor intensa, piora súbita da visão ou secreção ocular;
Não interrompa o tratamento por conta própria, pois isso pode levar à perda irreversível da visão;
Informe-se sobre as novas opções de tratamento e converse com seu médico sobre a possibilidade de utilizá-las;
Compartilhe informações confiáveis com amigos e familiares que também fazem tratamento ocular.
Lembre-se: cada caso é único, e o tratamento deve ser personalizado para garantir os melhores resultados.
Conclusão: esperança renovada para quem precisa de menos injeções
O surgimento do Axpaxli representa um marco importante no tratamento das doenças da retina, especialmente para quem sofre com a degeneração macular exsudativa. A possibilidade de reduzir a quantidade de injeções, mantendo ou até melhorando os resultados visuais, traz esperança e mais qualidade de vida aos pacientes.
Se você conhece alguém que faz injeções intravítreas, compartilhe esta informação. E lembre-se: o acompanhamento com um oftalmologista especializado é fundamental para garantir a saúde dos seus olhos e aproveitar as novidades que a medicina oferece.
Dr. Mário Bulla
Cremers 28.120
Médico Oftalmologista - Retinólogo
RQE 18.706
