A visão pode melhorar com a idade? Entenda!
A visão pode melhorar com a idade?
Minha visão melhorou sem os óculos: isso pode ser catarata?
Pergunta original: por que algumas pessoas percebem que estão enxergando melhor sem os óculos depois de certa idade?
O Dr. Mário Bulla, médico oftalmologista e especialista em retina, explica que essa melhora inesperada pode acontecer em pessoas que tinham hipermetropia e começam a desenvolver uma catarata nuclear. Nesse caso, o cristalino muda gradualmente e pode induzir miopia, compensando parte do grau positivo que a pessoa usava. A sensação é de que o grau diminuiu ou até desapareceu, mas isso não significa necessariamente que o olho tenha melhorado.
Video original no Instagram: https://www.instagram.com/reel/DdZzfq6uMBM/
Como a catarata pode “compensar” a hipermetropia?
A hipermetropia é, em geral, o grau positivo dos óculos. Ela pode dificultar a visão para longe e, principalmente com o passar dos anos, também a visão de perto. Já a miopia corresponde ao grau negativo.
Na catarata nuclear, a parte central do cristalino — a lente natural interna do olho — sofre alterações. Conforme essa região fica mais densa, o olho pode ganhar poder de foco e caminhar em direção à miopia. Em uma pessoa hipermétrope, esse novo componente míope pode anular parcialmente o grau positivo que existia antes.
Por exemplo: alguém que usava um grau positivo para enxergar longe pode notar que passa a ver melhor sem os óculos antigos. Se a alteração continuar, porém, o grau pode ultrapassar o zero e se tornar negativo; nesse momento, a visão de longe tende a piorar, enquanto a visão de perto pode parecer mais fácil por um período.
A catarata pode melhorar a visão de perto?
Pode haver essa impressão. Quando a catarata nuclear provoca uma mudança para miopia, algumas pessoas conseguem ler ou enxergar objetos próximos com menos dependência dos óculos que usavam antes. Esse fenômeno é conhecido na oftalmologia como uma espécie de “segunda visão”, mas é consequência de uma alteração do cristalino — não de uma reversão natural da necessidade de correção visual. A associação entre catarata nuclear e mudança míope do grau também é descrita em estudos clínicos. Veja a referência científica.
Quais sinais podem aparecer com a progressão?
Como explicado no vídeo, uma catarata inicial pode não atrapalhar tanto em determinada fase. Com a progressão, entretanto, podem surgir embaçamento da visão, mudança na percepção das cores, halos ao redor das luzes e maior dificuldade em locais escuros ou ao dirigir à noite.
Fontes médicas também descrevem sensibilidade à luz, necessidade mais frequente de atualizar os óculos, redução do contraste e, em alguns casos, visão dupla em um olho. Esses sintomas não confirmam catarata por si só, porque outras condições oculares também podem afetar a visão; por isso, precisam ser investigados em consulta. Veja a referência do National Eye Institute.
Quando vale procurar avaliação oftalmológica?
Uma mudança inesperada no grau, especialmente depois de certa idade, merece avaliação oftalmológica. A consulta não serve apenas para medir uma nova receita: ela permite examinar o cristalino e verificar se há catarata ou outra causa para a mudança visual. Veja informações sobre a consulta oftalmológica.
A cirurgia não é indicada simplesmente porque o grau mudou. A decisão considera o impacto da catarata na rotina, na leitura, na direção, no trabalho e na qualidade visual, além da avaliação completa de cada olho. A catarata é uma opacificação do cristalino e seu tratamento definitivo é cirúrgico quando ela passa a comprometer a visão ou as atividades da pessoa. Veja informações sobre catarata.
Fontes e referências
Catarata: sintomas, causas, cirurgia, recuperação e quando procurar o oftalmologista — Exame Ocular.
Como se preparar para a consulta oftalmológica: exames, dilatação, histórico, perguntas e orientações — Exame Ocular.
Cataracts — National Eye Institute.
Cataract — American Academy of Ophthalmology, EyeWiki.
conteúdo baseado na explicação em vídeo do Dr. Mário Bulla; CREMERS 28.120; médico oftalmologista e retinólogo; RQE 18.706.
