Catarata: 4 segredos
A catarata é uma das doenças oculares mais comuns no mundo e, ao mesmo tempo, uma das principais causas de cegueira reversível. Apesar de sua alta incidência, ainda existem muitas dúvidas entre os pacientes sobre o que é a catarata, como ela se manifesta, como é realizada a cirurgia e quais são as opções disponíveis para restaurar a visão.
Quatro dúvidas sobre catarata que você sempre quis perguntar, mas não tinha coragem
A catarata é uma das doenças oculares mais comuns no mundo e, ao mesmo tempo, uma das principais causas de cegueira reversível. Apesar de sua alta incidência, ainda existem muitas dúvidas entre os pacientes sobre o que é a catarata, como ela se manifesta, como é realizada a cirurgia e quais são as opções disponíveis para restaurar a visão. Neste artigo, responderei as quatro dúvidas mais frequentes sobre catarata, explicando de forma clara, detalhada e acessível para que você entenda cada etapa do diagnóstico e tratamento. Se você ou alguém próximo recebeu o diagnóstico de catarata, continue lendo para esclarecer todas as suas perguntas.
O que é catarata? Catarata não é uma “pelezinha” sobre o olho
Uma das maiores confusões entre os pacientes é acreditar que a catarata é uma “pelezinha” que cresce sobre o olho, cobrindo a parte colorida (íris). Na verdade, essa descrição corresponde a outra doença chamada pterígio, que é um crescimento benigno da conjuntiva (membrana transparente que recobre a parte branca do olho) em direção à córnea. O pterígio pode causar irritação, vermelhidão e, em casos avançados, atrapalhar a visão, mas não é catarata.
A catarata ocorre dentro do olho, mais precisamente no cristalino, que é a lente natural responsável por focar a luz na retina. Com o passar dos anos, o cristalino pode se tornar opaco, dificultando a passagem da luz e prejudicando a visão. Portanto, catarata não é visível externamente como uma “pele” sobre o olho.
Pterígio e catarata: diferenças importantes para o paciente
O pterígio, como mencionado, é uma lesão superficial. Ele pode ser pequeno e não causar sintomas, ou crescer e começar a incomodar, principalmente com sensação de areia, ardência e vermelhidão. A cirurgia de pterígio é indicada apenas quando ele cresce demais e ameaça comprometer a visão ou causa desconforto significativo.
Já a catarata, por ser uma opacificação do cristalino, não provoca irritação ou ardência. O principal sintoma é o embaçamento progressivo da visão, especialmente para longe, dificultando reconhecer pessoas e ler placas. Em estágios avançados, pode levar à cegueira, mas felizmente, essa cegueira é reversível com a cirurgia adequada.
Sintomas da catarata: como identificar o problema
A catarata geralmente se desenvolve de forma lenta e silenciosa. Os sintomas mais comuns incluem:
Visão embaçada, como se estivesse olhando através de um vidro fosco;
Dificuldade para enxergar à noite ou em ambientes com pouca luz;
Aumento da sensibilidade à luz (fotofobia);
Necessidade de trocar os óculos com frequência, sem melhora significativa;
Dificuldade para ler ou reconhecer rostos à distância.
É importante ressaltar que a catarata não causa dor, vermelhidão ou secreção. Esses sintomas sugerem outros problemas oculares e devem ser avaliados pelo oftalmologista.
Catarata pode levar à cegueira? Entenda a reversibilidade
Sim, a catarata pode levar à cegueira se não for tratada. O cristalino opaco impede a passagem da luz até a retina, tornando a visão cada vez mais turva até chegar à cegueira total. A boa notícia é que, diferentemente de outras causas de cegueira, a catarata é totalmente reversível com a cirurgia. Após a remoção do cristalino opaco e o implante da lente intraocular, a visão pode ser restaurada de forma significativa, devolvendo qualidade de vida ao paciente.
A cirurgia de catarata é uma raspagem? Entenda o procedimento
Outra dúvida comum é se a cirurgia de catarata consiste em uma raspagem do olho. Isso é um mito! A raspagem é um procedimento realizado para o pterígio, quando há necessidade de remover a “pelezinha” que cresce sobre a córnea. Já a cirurgia de catarata é totalmente diferente.
Na cirurgia de catarata, o oftalmologista faz um microcorte na córnea e utiliza um aparelho chamado facoemulsificador, que emite ondas de ultrassom para fragmentar e aspirar o cristalino opaco. Após a remoção do conteúdo do cristalino, uma lente intraocular é implantada no mesmo local, restaurando a função óptica do olho.
Como é feita a cirurgia de catarata? Facoemulsificação e o papel do laser
A cirurgia de catarata evoluiu muito nas últimas décadas. O método mais utilizado atualmente é a facoemulsificação, que utiliza o facoemulsificador para quebrar e aspirar o cristalino opaco por meio de um microcorte de cerca de 2 mm. Esse procedimento é minimamente invasivo, rápido e seguro, com recuperação visual geralmente em poucos dias.
Muitos pacientes perguntam se a cirurgia de catarata é feita a laser. O laser de femtossegundo pode ser utilizado em algumas etapas da cirurgia, como para realizar incisões, abrir a cápsula do cristalino (capsulorrexe) e fragmentar o cristalino. No entanto, a etapa principal, que é a remoção do cristalino, continua sendo feita pelo facoemulsificador. A maioria dos cirurgiões prefere não utilizar o laser, pois ele pode aumentar o tempo do procedimento e não traz benefícios significativos para todos os casos.
O implante da lente intraocular é obrigatório? Por que é necessário?
Sim, o implante da lente intraocular é obrigatório na cirurgia de catarata. Isso porque o cristalino, que é removido durante a cirurgia, é uma lente natural do olho e possui um poder de refração importante, em média entre 20 e 22 dioptrias (graus). Se não for implantada uma lente no lugar, o paciente ficaria sem a capacidade de focar adequadamente, sendo obrigado a usar óculos muito grossos, conhecidos como “fundo de garrafa”.
Antigamente, quando não havia tecnologia para lentes intraoculares de qualidade, os pacientes eram deixados sem lente (afácicos) e precisavam usar óculos especiais para compensar a falta do cristalino. Hoje, com o avanço da medicina, a lente intraocular é implantada no saco capsular do olho, proporcionando uma visão muito mais natural e confortável.
Tipos de lentes intraoculares: personalização do resultado visual
Existem diversos tipos de lentes intraoculares, cada uma com indicações específicas. As lentes monofocais corrigem a visão para uma única distância, geralmente para longe, podendo ser necessário o uso de óculos para leitura. Já as lentes multifocais permitem enxergar bem tanto de longe quanto de perto, reduzindo a dependência de óculos. Há ainda lentes tóricas, que corrigem o astigmatismo, e lentes premium, que podem corrigir presbiopia e proporcionar maior independência dos óculos.
Lentes monofocais: visão nítida para longe ou perto, mas não para ambas as distâncias;
Lentes multifocais: visão para múltiplas distâncias, reduzindo a necessidade de óculos;
Lentes tóricas: corrigem o astigmatismo associado à catarata;
Lentes premium: combinam múltiplas correções, incluindo presbiopia.
A escolha da lente é feita em conjunto com o oftalmologista, considerando as necessidades visuais, estilo de vida e características do olho do paciente.
Recuperação após a cirurgia de catarata: o que esperar
A recuperação da cirurgia de catarata costuma ser rápida e tranquila. A maioria dos pacientes percebe melhora significativa da visão já nos primeiros dias após o procedimento. É fundamental seguir as orientações do oftalmologista, como o uso de colírios, evitar coçar os olhos e proteger a região operada. Atividades leves podem ser retomadas em poucos dias, mas exercícios físicos intensos e exposição à poeira devem ser evitados nas primeiras semanas.
Complicações são raras, mas podem ocorrer, como infecção, inflamação ou deslocamento da lente. Por isso, o acompanhamento pós-operatório é essencial para garantir uma recuperação segura e eficaz.
Quando operar a catarata? O momento certo para a cirurgia
Nem toda catarata precisa ser operada imediatamente após o diagnóstico. O momento ideal para a cirurgia é quando a catarata começa a atrapalhar as atividades diárias do paciente, como dirigir, ler, assistir televisão ou reconhecer pessoas. Não é necessário esperar a catarata “amadurecer” completamente, pois a cirurgia em estágios iniciais é mais segura e proporciona melhores resultados.
Se você percebeu piora na visão ou recebeu o diagnóstico de catarata, converse com seu oftalmologista para avaliar o melhor momento para a cirurgia, considerando seu estilo de vida e necessidades visuais.
Catarata em jovens: é possível? Outras causas além do envelhecimento
Embora a catarata seja mais comum em pessoas acima de 60 anos, ela pode ocorrer em pessoas mais jovens devido a fatores como diabetes, uso prolongado de corticoides, traumas oculares, doenças congênitas e inflamações intraoculares. Nesses casos, o tratamento também é cirúrgico, com as mesmas técnicas e cuidados do procedimento realizado em idosos.
Portanto, qualquer alteração visual persistente deve ser investigada, independentemente da idade, para diagnóstico e tratamento adequados.
Principais mitos sobre a catarata: esclarecendo dúvidas frequentes
Muitos mitos circulam sobre a catarata e sua cirurgia. Veja alguns dos principais equívocos:
Catarata é uma “pele” sobre o olho: falso, é uma opacificação do cristalino;
Cirurgia de catarata é dolorosa: falso, o procedimento é indolor, realizado com anestesia local;
É preciso esperar a catarata “amadurecer”: falso, o ideal é operar quando há prejuízo visual;
A lente intraocular precisa ser trocada: falso, a lente é definitiva e não requer substituição;
A cirurgia é feita a laser: parcialmente verdadeiro, o laser pode ser usado em algumas etapas, mas não substitui o facoemulsificador.
Dicas para prevenir e detectar a catarata precocemente
Embora a catarata esteja relacionada principalmente ao envelhecimento, alguns cuidados podem retardar seu aparecimento e garantir um diagnóstico precoce:
Realize consultas oftalmológicas regulares, especialmente após os 50 anos;
Proteja os olhos da exposição excessiva ao sol, usando óculos com proteção UV;
Controle doenças sistêmicas como diabetes e hipertensão;
Evite o uso indiscriminado de corticoides;
Adote uma alimentação saudável, rica em antioxidantes.
O diagnóstico precoce permite um tratamento mais seguro e eficaz, preservando a qualidade da sua visão.
Conclusão: esclareça suas dúvidas e cuide da sua visão
A catarata é uma condição comum, mas que pode ser tratada com segurança e eficácia graças aos avanços da oftalmologia. Não tenha receio de tirar suas dúvidas com seu médico e lembre-se de que a cirurgia é um procedimento seguro, com alto índice de sucesso e capaz de devolver a visão e a qualidade de vida. Se você ou alguém próximo apresenta sintomas de catarata, procure um oftalmologista para avaliação e orientação individualizada.
Compartilhe este artigo com amigos e familiares que possam se beneficiar dessas informações. Cuidar da saúde ocular é fundamental para manter a independência e o bem-estar em todas as fases da vida.
Dr. Mário Bulla
Cremers 28.120
Médico Oftalmologista - Retinólogo
RQE 18.706
