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Chip para degeneração macular foi liberado na Europa

O Dr. Mário Bulla, médico oftalmologista e especialista em retina, explica que o chip PRIMA é uma tecnologia desenvolvida para casos muito avançados de degeneração macular relacionada à idade..


Chip para degeneração macular: ele pode devolver a visão?


Pergunta original: o chip PRIMA liberado na Europa pode melhorar a visão de pessoas com degeneração macular relacionada à idade?

O Dr. Mário Bulla, médico oftalmologista e especialista em retina, explica que o chip PRIMA é uma tecnologia desenvolvida para casos muito avançados de degeneração macular relacionada à idade (DMRI) seca, com atrofia geográfica extensa e perda importante da visão central. A proposta não é devolver uma visão normal, com a mesma nitidez, cores e qualidade de antes, mas oferecer uma forma limitada de visão central para pessoas que já têm dificuldade extrema para ler ou reconhecer rostos.


O que é a degeneração macular e por que a visão central é afetada?


A mácula é a pequena região central da retina responsável por enxergar detalhes finos: letras, rostos, preços, rótulos, imagens no celular e objetos que estão diretamente à frente. Na DMRI, o envelhecimento e outros fatores podem causar dano progressivo nessa área. Por isso, a pessoa pode continuar percebendo o ambiente ao redor, mas apresentar uma mancha, borramento ou falha justamente no centro da visão.

A DMRI tem formas diferentes. A forma seca é mais frequente e, em alguns pacientes, pode avançar até a chamada atrofia geográfica. Nessa fase, áreas da retina central deixam de funcionar de maneira permanente. Já a forma úmida envolve o crescimento de vasos anormais sob a retina, que podem vazar líquido ou sangue e levar a uma piora mais rápida da visão. Linhas retas ficando tortas, uma mancha central nova ou piora visual rápida devem motivar avaliação oftalmológica sem demora.

Na atrofia geográfica avançada, muitas pessoas relatam que conseguem enxergar “pelos lados”, mas não conseguem identificar o que está no centro. Isso pode dificultar atividades fundamentais para a autonomia, como ler, reconhecer familiares, cozinhar, conferir medicamentos e circular em locais desconhecidos. A baixa visão central, porém, não significa necessariamente ausência total de visão: a visão periférica pode estar relativamente preservada, embora isso varie conforme cada caso.


Para quem o chip PRIMA foi estudado?


O ponto mais importante é que esse implante não foi pensado para toda pessoa com degeneração macular. Conforme explicado no vídeo, ele foi direcionado a pacientes com atrofia geográfica extensa por DMRI, em situação de baixa visual central importante. Portanto, ter diagnóstico de “degeneração macular” não significa, por si só, ser candidato ao chip.

A seleção depende de uma avaliação detalhada da retina, da extensão e localização da atrofia, do estado do outro olho, da visão periférica restante, das condições clínicas para cirurgia e da possibilidade de reabilitação visual depois do implante. Exames como a tomografia de coerência óptica, conhecida como OCT, ajudam o especialista a observar as camadas da retina e entender melhor a anatomia da mácula.

Também é essencial diferenciar a atrofia geográfica da DMRI seca da DMRI úmida. São situações distintas, com mecanismos e estratégias de tratamento diferentes. Na forma úmida, por exemplo, injeções intraoculares podem ser indicadas para controlar a atividade de vasos anormais. O chip não substitui o acompanhamento regular nem os tratamentos apropriados para outras formas da doença.


Como esse chip funciona?


O PRIMA é um implante sub-retiniano, ou seja, fica colocado abaixo da retina, na região da mácula comprometida pela atrofia. Ele não funciona como uma retina saudável e não “cura” a degeneração macular. Sua função é receber estímulos de luz e gerar sinais que podem ser aproveitados pelas vias visuais ainda preservadas.

De forma simplificada, a pessoa utiliza óculos especiais com uma câmera. A imagem captada passa por processamento externo e é projetada em luz infravermelha para o implante. Os pequenos elementos do chip, que podem ser entendidos como pontos de estimulação, respondem a essa projeção. O objetivo é criar uma percepção visual central útil, ainda que muito diferente da visão natural.

Essa comparação com “pixels” ajuda a entender os limites. Uma tela com poucos pixels não reproduz uma fotografia rica em detalhes; ela entrega uma imagem mais simples e menos definida. Da mesma forma, o implante não recria toda a complexidade da retina humana. Ele pode permitir a identificação de letras ou formas em determinadas condições, especialmente com treinamento e recursos como ampliação da imagem, mas não equivale a recuperar a visão que a pessoa tinha antes da doença.


O que os estudos mostraram até agora?


O estudo clínico multicêntrico do sistema PRIMA acompanhou pessoas com atrofia geográfica por DMRI e perda visual central acentuada. O sistema combinou o implante fotovoltaico sub-retiniano com os óculos que projetam a luz infravermelha. Entre os participantes avaliados após 12 meses, houve melhora clinicamente relevante da acuidade visual medida com o sistema em uma parte importante do grupo.

Esses resultados são relevantes porque se referem a pacientes com comprometimento visual grave e pouca expectativa de recuperar a função central por métodos convencionais. Ainda assim, é importante interpretar a pesquisa com prudência: o estudo não significa que o resultado será igual para todos, nem que o implante devolve visão normal. Além disso, trata-se de uma cirurgia intraocular complexa, que exige acompanhamento especializado e treinamento para usar a visão produzida pelo sistema.

No mesmo estudo, foram relatados eventos adversos sérios relacionados ao procedimento ou ao dispositivo, concentrados principalmente nos primeiros meses após a cirurgia. Isso reforça que a decisão não deve ser tomada apenas pela esperança de enxergar melhor: é necessário avaliar, individualmente, o possível ganho funcional, os riscos cirúrgicos, as alternativas disponíveis e a capacidade de seguir o processo de reabilitação visual.


Como é a cirurgia para implantar o chip?


A implantação é uma cirurgia delicada de retina. Conforme descrito no vídeo, o procedimento envolve vitrectomia, que é a remoção do gel transparente que preenche o interior do olho, chamado vítreo. Depois, o cirurgião realiza uma abertura controlada na retina para posicionar o implante abaixo dela, na região macular.

Por ser uma operação de alta complexidade, ela não deve ser entendida como uma cirurgia simples ou comparada a procedimentos mais comuns, como a cirurgia de catarata. A indicação depende de análise cuidadosa do olho e da saúde geral da pessoa. O pós-operatório, a adaptação aos óculos e o treinamento para interpretar a nova informação visual fazem parte do tratamento.

a normal e reconhecimento de rostos?

Não se deve esperar uma recuperação completa da visão. A explicação do vídeo é clara nesse ponto: o sistema pode devolver alguns pontos luminosos e uma capacidade visual central limitada, mas não reproduz a visão natural. Não há motivo para imaginar que o implante restabeleça percepção normal de cores, contraste fino, profundidade, campo visual completo ou a mesma rapidez para reconhecer pessoas e ler como antes da doença.

Mesmo uma melhora pequena pode ter valor prático para quem tem baixa visão severa. Poder distinguir letras maiores, localizar uma palavra, perceber contornos ou identificar determinados detalhes pode ajudar em algumas tarefas. O benefício real precisa ser avaliado em termos de função no cotidiano, e não apenas como um número em um exame de visão.


O que fazer se você ou um familiar tem DMRI?


Quem tem DMRI não deve presumir que o chip seja indicado nem interromper o tratamento ou o acompanhamento habitual à espera dessa tecnologia. O caminho mais seguro é manter consultas regulares com o oftalmologista, fazer os exames recomendados e informar qualquer alteração nova na visão.

  • Procure avaliação mais rapidamente se linhas retas começarem a parecer tortas ou onduladas.

  • Não ignore uma mancha escura ou borrada nova no centro da visão.

  • Observe cada olho separadamente de tempos em tempos, pois um olho pode compensar parcialmente a perda visual do outro.

  • Leve para a consulta dúvidas sobre atrofia geográfica, exames de retina, tratamentos em curso e possibilidades de reabilitação visual.

  • Não use suplementos, colírios ou tratamentos prometidos para “regenerar a retina” sem orientação médica específica.


Além das opções médicas, a reabilitação visual pode fazer diferença no dia a dia de pessoas com baixa visão. Recursos de ampliação, melhor iluminação, contraste no ambiente, ajustes no celular e treinamento para tarefas cotidianas podem ajudar a preservar independência. A reabilitação não reverte a lesão da retina, mas busca aproveitar melhor a visão residual.


Fontes e referências


  1. Degeneração macular relacionada à idade: sintomas, fatores de risco, diagnóstico, tratamento e acompanhamento — Exame Ocular.

  2. OCT tomografia de coerência óptica: retina, mácula, nervo óptico, preparo e interpretação para pacientes — Exame Ocular.

  3. Age-Related Macular Degeneration (AMD) — National Eye Institute.

  4. Understanding Macular Degeneration — American Academy of Ophthalmology.

  5. Subretinal Photovoltaic Implant to Restore Vision in Geographic Atrophy Due to AMD — PubMed / New England Journal of Medicine.


conteúdo baseado na explicação em vídeo do Dr. Mário Bulla; CREMERS 28.120; médico oftalmologista e retinólogo; RQE 18.706.

Oftalmologista Clínica Bulla
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Clínica oftalmológica especializada no atendimento das doenças da retina: DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), edema macular, oclusão venosa, membrana epirretiniana, buraco macular, descolamento de retina, distrofias retinianas, retinose pigmentar, doença de Stargardt. Bem como realização de laser, injeções intravítreas de anti-angiogênico. Exames complementares: OCT, biometria com Iolmaster (ecobiometria), ecografia ocular, campo visual, PAM, microscopia especular, topografia corneana. Cirurgia para catarata: facoemusificação. Retinólogo.

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