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Olhar atravessado pode ser problema?

Você já notou alguém conversando e, em vez de olhar diretamente para você, parece olhar “meio atravessado”? Embora essa situação possa causar estranhamento, principalmente em ambientes sociais ou profissionais, ela tem explicações oftalmológicas importantes. Muitas vezes, esse comportamento está relacionado a condições específicas dos olhos, especialmente àquelas que afetam a mácula, a região central da retina responsável pela visão nítida e detalhada.


Por que algumas pessoas olham de lado para enxergar melhor? Entenda as causas e implicações oftalmológicas


Você já notou alguém conversando e, em vez de olhar diretamente para você, parece olhar “meio atravessado”? Embora essa situação possa causar estranhamento, principalmente em ambientes sociais ou profissionais, ela tem explicações oftalmológicas importantes. Muitas vezes, esse comportamento está relacionado a condições específicas dos olhos, especialmente àquelas que afetam a mácula, a região central da retina responsável pela visão nítida e detalhada. Neste artigo, vamos abordar de forma aprofundada por que algumas pessoas precisam olhar de lado para enxergar melhor, quais doenças podem causar esse fenômeno, como diferenciá-lo de outras alterações oculares e o que fazer caso você ou alguém próximo apresente esse sintoma.


O que significa “olhar de lado” para enxergar melhor?


Olhar de lado, ou seja, não direcionar o olhar exatamente para o ponto de interesse, pode ser uma estratégia inconsciente adotada por pessoas que têm alguma alteração na mácula. A mácula é a parte central da retina, localizada no fundo do olho, e é responsável pela visão central, aquela que usamos para ler, reconhecer rostos ou enxergar detalhes. Quando essa região está comprometida, a pessoa pode perder a nitidez ao olhar diretamente para um objeto ou pessoa. Assim, ela passa a utilizar áreas vizinhas da retina, desviando um pouco o olhar, para tentar compensar essa perda e enxergar melhor.


Diferença entre olhar de lado e estrabismo


É importante não confundir o ato de olhar de lado para enxergar melhor com o estrabismo. O estrabismo é uma condição em que os olhos não estão alinhados corretamente, podendo um ou ambos ficarem desviados para dentro, para fora, para cima ou para baixo. Popularmente, as pessoas com estrabismo são chamadas de “vesgas”. Já o olhar de lado para enxergar melhor ocorre geralmente com ambos os olhos alinhados, mas a pessoa direciona o olhar para um ponto adjacente ao objeto de interesse, buscando uma área da retina que ainda esteja saudável.


A mácula: centro da visão nítida e colorida


A mácula é uma pequena área no centro da retina, localizada ao lado do nervo óptico. Ela possui a maior concentração de células sensíveis à luz, chamadas de cones, que são responsáveis pela percepção de detalhes finos e cores. É graças à mácula que conseguimos ler letras pequenas, identificar rostos e perceber nuances de cores. Quando há uma lesão ou doença que afeta a mácula, a visão central é prejudicada, tornando difícil realizar tarefas que exigem precisão visual.


Por que à noite enxergamos melhor olhando “ao lado” de objetos pequenos?


Você já tentou observar uma estrela muito pequena no céu noturno e percebeu que, ao olhar diretamente para ela, ela parece desaparecer, mas ao olhar um pouco ao lado, ela reaparece? Isso acontece porque os fotorreceptores da mácula (os cones) precisam de mais luz para funcionar bem. Já a retina periférica, rica em bastonetes, é mais sensível à luz fraca, sendo responsável pela visão noturna. Portanto, em situações de pouca luz, é normal que enxerguemos melhor objetos pequenos ao olhar um pouco ao lado deles. Esse fenômeno é fisiológico e não indica doença.


Quando olhar de lado deixa de ser normal: doenças que afetam a mácula

O olhar de lado para enxergar melhor pode ser sinal de uma condição patológica quando ocorre em ambientes bem iluminados ou durante o dia, especialmente em pessoas que antes não apresentavam esse comportamento. Diversas doenças podem afetar a mácula, levando à perda da visão central e à necessidade de buscar áreas vizinhas da retina para tentar compensar essa deficiência. Entre as principais doenças que podem causar esse sintoma, destacam-se:


  • Degeneração macular relacionada à idade (DMRI), especialmente nas formas avançadas (seca ou exsudativa);

  • Buraco de mácula;

  • Membrana epirretiniana;

  • Edema macular;

  • Toxoplasmose ocular com cicatriz na região macular;

  • Outras doenças inflamatórias ou infecciosas que acometam a mácula.


Degeneração macular: a principal causa em idosos


A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma das principais causas de perda visual em pessoas acima de 60 anos. Ela pode se apresentar em duas formas: seca (mais comum e de progressão lenta) e exsudativa (mais agressiva e rápida). Nas fases avançadas, a mácula pode sofrer lesões extensas, formando cicatrizes ou áreas de atrofia. Nesses casos, a pessoa perde a visão central e passa a usar as áreas periféricas da retina para enxergar, adotando o hábito de olhar de lado.


Outras doenças que podem afetar a mácula e causar o sintoma


Além da DMRI, outras doenças podem comprometer a mácula e levar ao comportamento de olhar de lado para enxergar melhor. O buraco de mácula, por exemplo, é uma abertura que se forma na região central da retina, prejudicando a visão nítida. A membrana epirretiniana é uma película que cresce sobre a mácula, distorcendo a imagem. Já o edema macular é o acúmulo de líquido na mácula, comum em diabéticos ou após cirurgias oculares. Em todos esses casos, a perda da visão central pode ser significativa, levando o paciente a buscar alternativas para enxergar melhor.


Toxoplasmose ocular: quando uma cicatriz afeta a visão central


A toxoplasmose é uma infecção causada por um protozoário e pode acometer o olho, formando lesões inflamatórias na retina. Quando a região macular é afetada, pode restar uma cicatriz que compromete a visão central. Nesses casos, o paciente pode adotar o olhar de lado para tentar utilizar áreas da retina que não foram afetadas, buscando uma visão um pouco melhor.


Quando o sintoma aparece: estágios avançados e gravidade


O hábito de olhar de lado para enxergar melhor costuma surgir quando a doença já está em estágio avançado e a mácula apresenta lesão extensa. Em fases iniciais, o paciente pode perceber apenas uma leve distorção ou embaçamento ao olhar para o centro. À medida que a lesão progride, a visão central pode se perder completamente, restando apenas a visão periférica. Por isso, é fundamental procurar um oftalmologista ao notar qualquer alteração visual, para diagnóstico e tratamento precoces.


Como é feito o diagnóstico das doenças da mácula?


O diagnóstico das doenças que afetam a mácula é realizado por meio de exame oftalmológico detalhado. O especialista pode utilizar equipamentos como a fundoscopia (exame do fundo do olho), a tomografia de coerência óptica (OCT), que mostra imagens em alta resolução da retina, e a angiografia com contraste, que avalia a circulação na retina. Esses exames permitem identificar lesões, cicatrizes, inchaços ou outras alterações na mácula, orientando o tratamento adequado.


Tratamento e reabilitação visual para quem olha de lado


O tratamento das doenças da mácula depende da causa. Em alguns casos, como na DMRI exsudativa, podem ser aplicadas injeções intraoculares de medicamentos antiangiogênicos para conter a progressão da doença. Em outras situações, como membrana epirretiniana ou buraco de mácula, pode ser indicada cirurgia. Quando a lesão é irreversível, o paciente pode se beneficiar de reabilitação visual, com técnicas e dispositivos que ajudam a utilizar melhor a visão periférica, facilitando a adaptação ao novo padrão visual.


O impacto psicossocial de olhar de lado para enxergar


É importante ressaltar que pessoas que olham de lado para enxergar melhor podem ser mal interpretadas em situações sociais, sendo vistas como desatentas ou desinteressadas. Esse comportamento, no entanto, pode ser uma tentativa de superar uma limitação visual importante. O apoio da família, amigos e colegas é fundamental para a autoestima e a adaptação dessas pessoas. A compreensão sobre o motivo desse hábito pode evitar constrangimentos e promover a inclusão.


Quando procurar um oftalmologista?


Se você ou alguém próximo começou a olhar de lado para enxergar melhor, especialmente se esse comportamento surgiu recentemente ou está associado a outros sintomas, como visão embaçada, distorcida ou perda de visão central, é fundamental procurar um oftalmologista. O diagnóstico precoce pode evitar a progressão de doenças graves e permitir intervenções que preservem a visão.


Dicas para familiares e amigos de quem apresenta esse sintoma


A convivência com pessoas que apresentam alterações visuais exige compreensão e paciência. Algumas dicas importantes incluem:


  • Evite julgamentos precipitados sobre o comportamento visual;

  • Converse de forma clara e direta, posicionando-se de modo que a pessoa se sinta confortável para enxergar;

  • Estimule a consulta regular com o oftalmologista;

  • Busque informações sobre reabilitação visual e recursos de acessibilidade;

  • Ofereça apoio emocional e incentive a participação em atividades sociais.


Considerações finais: informação é o melhor caminho


Olhar de lado para enxergar melhor pode ser um sinal importante de doenças que afetam a mácula, especialmente em estágios avançados. Embora esse comportamento possa parecer estranho à primeira vista, ele é uma adaptação do cérebro e dos olhos para tentar compensar a perda da visão central. Entender as causas, buscar diagnóstico precoce e oferecer apoio são passos fundamentais para garantir qualidade de vida e inclusão para quem convive com essa condição. Se você tem dúvidas sobre sua visão ou a de alguém próximo, não hesite em procurar um oftalmologista.

Lembre-se: a saúde ocular é fundamental para a autonomia e bem-estar. Cuide dos seus olhos e incentive quem você ama a fazer o mesmo!


Dr. Mário Bulla

Cremers 28.120

Médico Oftalmologista - Retinólogo

RQE 18.706

Oftalmologista Clínica Bulla
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Clínica oftalmológica especializada no atendimento das doenças da retina: DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), edema macular, oclusão venosa, membrana epirretiniana, buraco macular, descolamento de retina, distrofias retinianas, retinose pigmentar, doença de Stargardt. Bem como realização de laser, injeções intravítreas de anti-angiogênico. Exames complementares: OCT, biometria com Iolmaster (ecobiometria), ecografia ocular, campo visual, PAM, microscopia especular, topografia corneana. Cirurgia para catarata: facoemusificação. Retinólogo.

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