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Retinose pigmentar tem tratamento?

A retinose pigmentar é uma doença ocular hereditária que preocupa muitos pacientes e familiares devido à sua gravidade e impacto na visão. Uma das dúvidas mais frequentes nos consultórios de oftalmologia é se a retinose pigmentar tem tratamento. Neste artigo, vou explicar de forma detalhada todas as opções disponíveis, quem pode se beneficiar delas, as limitações atuais e as perspectivas para o futuro. Se você ou alguém que conhece convive com essa condição, este conteúdo foi preparado especialmente para esclarecer suas dúvidas e trazer esperança fundamentada em informações científicas.


Retinose Pigmentar Tem Tratamento? Entenda Tudo Sobre Opções, Indicações e Novas Pesquisas


A retinose pigmentar é uma doença ocular hereditária que preocupa muitos pacientes e familiares devido à sua gravidade e impacto na visão. Uma das dúvidas mais frequentes nos consultórios de oftalmologia é se a retinose pigmentar tem tratamento. Neste artigo, vou explicar de forma detalhada todas as opções disponíveis, quem pode se beneficiar delas, as limitações atuais e as perspectivas para o futuro. Se você ou alguém que conhece convive com essa condição, este conteúdo foi preparado especialmente para esclarecer suas dúvidas e trazer esperança fundamentada em informações científicas.


O que é a retinose pigmentar?


A retinose pigmentar é um grupo de doenças genéticas que afetam a retina, a camada sensível à luz localizada no fundo do olho. Essa condição leva à degeneração progressiva das células responsáveis pela captação da luz e formação das imagens, especialmente os bastonetes e, posteriormente, os cones. Com o tempo, isso resulta em perda gradual da visão, começando geralmente pela visão periférica e noturna.

É importante entender que a retinose pigmentar não é uma doença única, mas sim um conjunto de alterações genéticas que levam a sintomas semelhantes. Por isso, o quadro clínico pode variar bastante entre os pacientes, tanto em relação à idade de início quanto à velocidade de progressão e gravidade.


Causas genéticas e formas de herança


A principal causa da retinose pigmentar está nos nossos genes. Existem dezenas de genes diferentes que, quando apresentam mutações, podem desencadear a doença. A forma de herança pode ser autossômica dominante, autossômica recessiva ou ligada ao cromossomo X. Isso significa que a doença pode ser transmitida de maneiras diferentes dentro das famílias, dependendo do gene afetado.

Por exemplo, na forma autossômica dominante, basta uma cópia alterada do gene para manifestar a doença. Já na autossômica recessiva, é necessário herdar duas cópias alteradas, uma de cada pai. A forma ligada ao X geralmente afeta mais os homens, pois eles possuem apenas um cromossomo X.


Sintomas e evolução da doença


Os sintomas da retinose pigmentar costumam iniciar com dificuldade para enxergar em ambientes pouco iluminados (nictalopia), seguida de perda da visão periférica, o que pode causar a sensação de “visão em túnel”. Com a progressão, pode haver comprometimento da visão central, dificultando atividades como leitura e reconhecimento de rostos.

A velocidade de evolução varia muito. Em alguns casos, a perda visual é lenta e pode levar décadas até um comprometimento significativo. Em outros, a progressão é mais rápida. O acompanhamento regular com oftalmologista especializado é fundamental para monitorar a evolução e orientar o paciente.


Existe tratamento para retinose pigmentar?


Sim, atualmente existem tratamentos para algumas formas específicas de retinose pigmentar. No entanto, é fundamental esclarecer que nem todos os pacientes podem se beneficiar dessas terapias. O tratamento mais moderno e promissor é a terapia gênica, mas sua indicação depende do tipo de mutação genética presente.

Muitas pessoas ainda desconhecem a existência de tratamentos, pois por muitos anos a retinose pigmentar era considerada uma doença sem opções terapêuticas. Com os avanços da genética e da biotecnologia, novas possibilidades estão surgindo, trazendo esperança para pacientes e famílias.


Terapia gênica: o que é e para quem serve?


A terapia gênica é uma abordagem inovadora que busca corrigir o defeito genético responsável pela doença. No caso da retinose pigmentar, o tratamento aprovado atualmente é o Luxturna, indicado para pacientes com mutação bialélica (ou seja, nos dois alelos) do gene RPE65.

Isso significa que apenas pessoas que possuem mutações específicas nesse gene podem receber o tratamento. A identificação dessa mutação é feita por meio de testes genéticos, que devem ser solicitados e interpretados por um oftalmologista especializado em genética ocular.

  • O tratamento não é indicado para todas as formas de retinose pigmentar.

  • Pacientes com Síndrome de Usher, por exemplo, não podem receber o Luxturna.

  • É necessário confirmar a mutação bialélica no gene RPE65 para indicação.


Como é feito o tratamento com Luxturna?


O Luxturna é uma medicação que contém um vetor viral modificado para transportar o gene saudável até as células da retina. O procedimento é realizado por meio de uma cirurgia delicada chamada vitrectomia, na qual o vítreo (gel que preenche o interior do olho) é removido para permitir o acesso à retina.

Após a remoção do vítreo, o médico realiza uma injeção sub-retiniana, ou seja, injeta o medicamento sob a retina, criando uma pequena bolha. Essa técnica é diferente das injeções intravítreas convencionais, pois exige maior precisão e delicadeza, especialmente em crianças, que são o principal grupo beneficiado pelo tratamento.


Resultados e expectativas da terapia gênica


Os estudos clínicos com Luxturna mostraram que o tratamento pode estabilizar a perda visual e, em alguns casos, proporcionar melhora da visão, principalmente em ambientes com pouca luz. É importante ressaltar que os resultados variam de paciente para paciente, e a indicação deve ser individualizada.

Apesar de ser uma grande conquista, o número de pacientes elegíveis ainda é pequeno, pois a mutação no gene RPE65 é rara. No entanto, a terapia gênica abre caminho para o desenvolvimento de tratamentos para outras mutações genéticas no futuro, ampliando as possibilidades para mais pessoas.


Por que nem todos podem fazer o tratamento?


A principal limitação do tratamento com Luxturna é a necessidade de confirmação da mutação bialélica no gene RPE65. Isso significa que a maioria dos pacientes com retinose pigmentar, que apresentam mutações em outros genes, não pode se beneficiar dessa terapia no momento.

Além disso, algumas síndromes associadas, como a Síndrome de Usher (que combina perda de visão e audição), também não são elegíveis para o tratamento com Luxturna, pois envolvem mutações em genes diferentes.


O futuro da terapia gênica para a retinose pigmentar


O sucesso do Luxturna trouxe grande expectativa para o desenvolvimento de novas terapias gênicas direcionadas a outros genes relacionados à retinose pigmentar. Pesquisas estão em andamento para ampliar o número de pacientes beneficiados, utilizando abordagens semelhantes para diferentes mutações.

A tendência é que, nos próximos anos, novas terapias sejam aprovadas, tornando possível tratar um número cada vez maior de pessoas. O avanço da medicina personalizada, baseada no perfil genético de cada paciente, é uma das maiores promessas para o futuro do tratamento das doenças hereditárias da retina.


Outras opções em pesquisa: chip de retina e células-tronco


Além da terapia gênica, outras abordagens estão sendo estudadas para o tratamento da retinose pigmentar. Uma delas é o implante de chip de retina, também conhecido como prótese retiniana. Esse dispositivo eletrônico é implantado junto à retina e tem como objetivo restaurar parcialmente a visão em pacientes com perda visual avançada.

Embora os primeiros modelos fossem rudimentares e proporcionassem apenas uma melhora limitada, principalmente na locomoção dos pacientes, as versões mais modernas prometem avanços significativos. O chip de retina pode ajudar o paciente a perceber obstáculos, luzes e formas, facilitando a mobilidade e a independência.

Outra linha de pesquisa envolve o uso de células-tronco para tentar substituir as células da retina que foram perdidas. Até o momento, os resultados ainda são modestos, e não há comprovação de benefício significativo para a retinose pigmentar, mas os estudos continuam em andamento.


Terapia optogenética: uma nova esperança


A terapia optogenética é uma das abordagens mais inovadoras em pesquisa para doenças degenerativas da retina. Ela consiste em modificar geneticamente algumas células da retina para que possam captar luz, mesmo que originalmente não tivessem essa função. Isso é feito por meio da injeção de um gene específico, geralmente por via intravítrea, tornando o procedimento mais simples do que a cirurgia sub-retiniana.

Os primeiros resultados são promissores, especialmente para pacientes em estágios avançados da doença, onde poucas células fotorreceptoras ainda estão funcionais. A expectativa é que, com o avanço das pesquisas, a terapia optogenética possa se tornar uma alternativa viável para um número maior de pessoas.


A importância do diagnóstico genético


Para definir a melhor estratégia de tratamento, é fundamental realizar o diagnóstico genético da retinose pigmentar. Isso permite identificar o gene envolvido, orientar o aconselhamento familiar e, principalmente, verificar a elegibilidade para terapias específicas, como o Luxturna.

O teste genético deve ser realizado em laboratórios de referência e interpretado por profissionais experientes. O resultado pode impactar não apenas o paciente, mas também outros membros da família, auxiliando no planejamento reprodutivo e no acompanhamento preventivo.


Acompanhamento e qualidade de vida


Mesmo para pacientes que ainda não têm indicação para as terapias mais modernas, o acompanhamento regular com oftalmologista é essencial. Existem medidas de reabilitação visual, uso de recursos ópticos, orientações sobre iluminação e adaptações no ambiente que podem melhorar muito a qualidade de vida.

Além disso, o suporte psicológico e o contato com grupos de apoio são fundamentais para lidar com o impacto emocional da doença. A informação correta e o acesso a novidades científicas ajudam o paciente a manter a esperança e a buscar as melhores opções de tratamento.


Considerações finais: esperança e avanços contínuos


A retinose pigmentar é uma doença grave e desafiadora, mas os avanços da ciência têm trazido novas perspectivas para pacientes e famílias. A terapia gênica já é uma realidade para alguns casos, e outras abordagens, como o chip de retina e a optogenética, estão em desenvolvimento.

O mais importante é buscar acompanhamento especializado, realizar o diagnóstico genético e manter-se informado sobre as novidades. Cada paciente é único, e as opções de tratamento devem ser avaliadas de forma individualizada, sempre com orientação médica.

Se você ou alguém próximo convive com retinose pigmentar, saiba que a medicina está avançando rapidamente, e novas possibilidades estão surgindo. Mantenha-se em contato com seu oftalmologista e não perca a esperança.


Dr. Mário Bulla

Cremers 28.120

Médico Oftalmologista - Retinólogo

RQE 18.706

Oftalmologista Clínica Bulla
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Clínica oftalmológica especializada no atendimento das doenças da retina: DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), edema macular, oclusão venosa, membrana epirretiniana, buraco macular, descolamento de retina, distrofias retinianas, retinose pigmentar, doença de Stargardt. Bem como realização de laser, injeções intravítreas de anti-angiogênico. Exames complementares: OCT, biometria com Iolmaster (ecobiometria), ecografia ocular, campo visual, PAM, microscopia especular, topografia corneana. Cirurgia para catarata: facoemusificação. Retinólogo.

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