Cirurgia de catarata: tudo o que você precisa saber
Saiba tudo que você precisa antes de fazer a cirurgia de catarata.
Tudo o que você precisa saber sobre a cirurgia de catarata
A cirurgia de catarata é um dos procedimentos mais realizados e seguros da medicina moderna. Apesar de sua aparente simplicidade, trata-se de uma intervenção delicada, que exige tecnologia avançada, experiência do cirurgião e cuidados rigorosos antes, durante e após a operação. Este artigo foi elaborado para esclarecer todas as dúvidas dos pacientes sobre a cirurgia de catarata, desde o diagnóstico até o pós-operatório, abordando os tipos de lentes intraoculares, anestesia, possíveis complicações e orientações práticas para garantir o melhor resultado visual possível.
O que é catarata e por que ela precisa ser operada?
A catarata é caracterizada pela opacificação do cristalino, uma lente natural localizada dentro do olho, responsável por focar a luz na retina. Com o envelhecimento, doenças como diabetes, inflamações intraoculares (uveítes), traumas ou até fatores congênitos, o cristalino perde sua transparência, prejudicando a visão. Diferente do que muitos pensam, a catarata não é uma “película” que cresce na frente do olho, mas sim uma alteração interna. Quando a visão fica embaçada a ponto de atrapalhar as atividades diárias, a cirurgia é indicada para restaurar a qualidade visual.
Principais causas da catarata
A forma mais comum é a catarata senil, relacionada ao envelhecimento natural dos olhos. No entanto, existem outros fatores que podem desencadear o problema, como:
Diabetes mellitus, que acelera a opacificação do cristalino;
Inflamações intraoculares, como a uveíte;
Traumas oculares, que podem causar catarata traumática em qualquer idade;
Uso prolongado de corticoides;
Fatores congênitos, quando bebês já nascem com catarata;
Radiação ultravioleta e outros fatores ambientais.
É importante entender que a catarata pode afetar pessoas de todas as idades, inclusive crianças e jovens, embora seja mais frequente em idosos.
Como é feita a cirurgia de catarata?
A cirurgia de catarata evoluiu muito nas últimas décadas. O método mais utilizado atualmente é a facoemulsificação, que consiste em realizar um microcorte de cerca de 2 milímetros na córnea. Por esse acesso, o cirurgião utiliza um aparelho de ultrassom para fragmentar e aspirar a catarata, removendo o cristalino opaco. Em seguida, é implantada uma lente intraocular (LIO), que substitui a função do cristalino, permitindo que a luz volte a ser focada corretamente na retina.
O procedimento é considerado minimamente invasivo, com rápida recuperação e baixo risco de complicações quando realizado por profissionais experientes e com tecnologia adequada.
Preparação pré-operatória: cuidados essenciais
O sucesso da cirurgia de catarata começa no pré-operatório. O paciente deve seguir rigorosamente as orientações médicas, que geralmente incluem:
Uso de colírios antibióticos e anti-inflamatórios para reduzir o risco de infecção e inflamação;
Jejum absoluto de alimentos sólidos por cerca de 8 horas antes da cirurgia;
Jejum de líquidos (inclusive água) por pelo menos 6 horas antes do procedimento;
Evitar o uso de maquiagem, cremes ou perfumes no dia da cirurgia;
Trazer um acompanhante para o hospital ou clínica.
Esses cuidados são fundamentais para garantir a segurança do procedimento e minimizar riscos.
Escolha da lente intraocular: entenda as opções
Um dos pontos mais importantes da cirurgia de catarata é a escolha da lente intraocular. Atualmente, existe uma ampla variedade de lentes, cada uma com indicações específicas. O objetivo é não apenas restaurar a transparência do olho, mas também corrigir graus de miopia, hipermetropia, astigmatismo e até presbiopia (vista cansada).
Entre as principais opções de lentes intraoculares, destacam-se:
Monofocais: Corrigem a visão para uma única distância (geralmente para longe). O paciente pode precisar de óculos para leitura.
Monofocais Plus: Oferecem maior independência dos óculos em relação às monofocais tradicionais, mas ainda podem exigir uso de óculos para algumas atividades.
Tóricas: Indicadas para quem tem astigmatismo, corrigindo esse grau durante a cirurgia.
Multifocais (bifocais ou trifocais): Permitem boa visão para longe, intermediário e perto, reduzindo a necessidade de óculos.
De foco estendido (EDOF): Proporcionam uma faixa maior de foco, ideais para quem deseja independência dos óculos, mas dirige muito à noite ou não precisa de visão tão próxima.
Asféricas: Corrigem aberrações ópticas, melhorando a qualidade visual, especialmente em ambientes de baixa luminosidade.
A escolha da lente depende de fatores como estilo de vida, necessidades visuais, presença de outras doenças oculares e avaliação médica detalhada. Por exemplo, pacientes com doenças na retina ou córnea podem não ser candidatos a lentes multifocais.
Tipos de anestesia na cirurgia de catarata
A anestesia utilizada na cirurgia de catarata pode variar conforme a preferência do cirurgião, as condições do paciente e a complexidade do caso. As opções mais comuns incluem:
Tópica: Anestesia feita apenas com colírios anestésicos. É a mais utilizada atualmente, pois oferece conforto e rápida recuperação.
Peribulbar ou retrobulbar: Injeção de anestésico ao redor ou atrás do olho, proporcionando maior imobilização ocular.
Subtenoniana: Aplicação de anestésico na parte branca do olho (esclera), indicada em casos especiais.
Anestesia geral: Raramente utilizada, reservada para pacientes que não conseguem colaborar ou em situações muito específicas.
Independentemente do tipo de anestesia, a cirurgia geralmente é ambulatorial, permitindo que o paciente retorne para casa no mesmo dia.
Como é o pós-operatório da cirurgia de catarata?
O pós-operatório é uma etapa fundamental para o sucesso da cirurgia. Após o procedimento, o olho pode ser protegido com um curativo ou um escudo plástico, que geralmente é removido nas primeiras 24 horas. A partir desse momento, o paciente deve iniciar o uso de colírios conforme prescrição médica, normalmente incluindo antibióticos, anti-inflamatórios e corticoides em esquema de redução progressiva.
O repouso não precisa ser absoluto, mas é importante evitar esforços físicos, impactos, levantamento de peso e exposição a ambientes contaminados, como piscinas e praias, por pelo menos um mês. Caminhadas leves podem ser retomadas após cerca de uma semana, e atividades como musculação, após 15 dias, sempre seguindo a orientação do seu oftalmologista.
Cuidados e restrições após a cirurgia
Durante os primeiros dias após a cirurgia, é fundamental adotar alguns cuidados para evitar complicações:
Evitar coçar ou apertar o olho operado;
Não deixar entrar água contaminada no olho (banho de piscina, mar ou banheira);
Evitar maquiagem e cremes na região dos olhos;
Não realizar atividades físicas intensas ou esportes de contato;
Usar óculos escuros para proteger contra luz intensa e poeira;
Seguir rigorosamente o uso dos colírios prescritos e comparecer às consultas de retorno.
Essas medidas ajudam a garantir uma recuperação tranquila e a prevenir infecções ou inflamações.
Complicações possíveis da cirurgia de catarata
Apesar de ser considerada uma cirurgia segura, com taxa de sucesso superior a 90%, a cirurgia de catarata, como qualquer procedimento médico, pode apresentar complicações. Felizmente, eventos graves são raros, ocorrendo em menos de 1% dos casos. Entre as principais complicações, destacam-se:
Endoftalmite: Infecção interna do olho, com sintomas como dor intensa, vermelhidão, inchaço, visão muito embaçada e presença de “moscas volantes”. Exige tratamento imediato.
TASS (Síndrome Tóxica do Segmento Anterior): Reação inflamatória intensa nos primeiros dias após a cirurgia, geralmente tratada com aumento dos colírios anti-inflamatórios.
Fragmentos de catarata remanescentes: Em casos raros, pode ser necessário um novo procedimento para remoção.
Deslocamento da lente intraocular: Pode exigir reposicionamento ou troca da lente.
Edema de córnea ou retina: Inchaço que pode comprometer temporariamente a visão, geralmente reversível com tratamento.
É fundamental reconhecer sinais de alerta e procurar atendimento médico imediato caso surjam sintomas como dor intensa, vermelhidão, piora súbita da visão ou secreção ocular.
Resultados esperados e taxa de sucesso
Graças à evolução das técnicas cirúrgicas e ao avanço tecnológico, a cirurgia de catarata apresenta uma das maiores taxas de sucesso da medicina, superando 90%. A maioria dos pacientes experimenta melhora significativa da visão já nos primeiros dias após o procedimento. A recuperação visual completa pode levar algumas semanas, dependendo do caso e da presença de outras doenças oculares.
É importante alinhar as expectativas com o seu oftalmologista, pois fatores como doenças na retina, córnea ou glaucoma podem limitar o resultado final.
Catarata em situações especiais: crianças, jovens e traumas
Embora a catarata seja mais comum em idosos, ela pode afetar crianças (catarata congênita), jovens com doenças metabólicas, inflamações ou após traumas oculares. Nesses casos, a abordagem cirúrgica pode ser mais complexa, exigindo planejamento individualizado e acompanhamento multidisciplinar, principalmente para garantir o desenvolvimento visual adequado em crianças.
Cataratas traumáticas ou associadas a outras doenças, como uveítes, também demandam cuidados especiais e podem apresentar maior risco de complicações.
Dicas práticas para quem vai operar catarata
Para garantir um procedimento seguro e uma recuperação tranquila, siga estas orientações:
Anote todas as dúvidas e converse com seu oftalmologista antes da cirurgia;
Informe sobre alergias, uso de medicamentos e doenças pré-existentes;
Siga rigorosamente as orientações sobre jejum e uso de colírios;
Traga um acompanhante no dia da cirurgia;
Evite automedicação e nunca interrompa o uso de colírios sem orientação médica;
Compareça a todas as consultas de retorno, mesmo que esteja se sentindo bem.
Essas dicas simples fazem toda a diferença para o sucesso da cirurgia e a preservação da sua saúde ocular.
Considerações finais: converse sempre com seu oftalmologista
A cirurgia de catarata é um procedimento seguro, eficaz e que transforma a qualidade de vida dos pacientes. No entanto, cada caso é único e deve ser avaliado individualmente. O diálogo aberto com o oftalmologista é fundamental para esclarecer dúvidas, alinhar expectativas e escolher a melhor estratégia cirúrgica e a lente intraocular mais adequada ao seu perfil.
Lembre-se: a informação é a melhor aliada para um tratamento seguro e tranquilo. Se você vai operar catarata ou conhece alguém que passará pelo procedimento, compartilhe este artigo e ajude a promover saúde ocular e qualidade de vida.
Autor:
Dr. Mário César Bulla
Cremers 28.120
Médico Oftalmologista - Retinólogo
RQE 18.706
