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Parece assustador receber uma injeção dentro do olho… mas você sabe como ela realmente é feita?

O Dr. Mário Bulla, médico oftalmologista e especialista em retina, explica que a injeção intravítrea de antiangiogênico é um procedimento realizado para levar o medicamento diretamente ao interior do olho, onde ele pode agir sobre doenças da retina e da mácula.


Como é feita a injeção dentro do olho?


Pergunta original: Parece assustador receber uma injeção dentro do olho, mas você sabe como ela realmente é feita?

O Dr. Mário Bulla, médico oftalmologista e especialista em retina, explica que a injeção intravítrea de antiangiogênico é um procedimento realizado para levar o medicamento diretamente ao interior do olho, onde ele pode agir sobre doenças da retina e da mácula. Embora a ideia de uma injeção ocular provoque receio, a aplicação é rápida, feita com anestesia local e costuma causar mais sensação de pressão ou desconforto breve do que dor intensa.


Por que o medicamento é aplicado dentro do olho?


A retina é a camada localizada no fundo do olho que capta a luz e envia as informações visuais ao cérebro. No centro dela está a mácula, região importante para enxergar detalhes, reconhecer rostos, ler e perceber linhas retas. Em algumas doenças, vasos sanguíneos anormais podem se formar ou os vasos existentes podem passar a deixar líquido vazar para a retina. Esse acúmulo de líquido é chamado de edema e pode comprometer a visão central.

Os antiangiogênicos, também conhecidos como medicamentos anti-VEGF, agem bloqueando o VEGF, uma proteína que pode favorecer a formação de vasos anormais e o vazamento de líquido. Aplicar o medicamento no vítreo — o gel transparente que preenche grande parte do interior ocular — permite que ele alcance mais diretamente a retina. Esse mecanismo é utilizado, por exemplo, na degeneração macular relacionada à idade na forma úmida, no edema macular diabético e no edema relacionado a algumas oclusões venosas da retina.


Quais doenças podem ser tratadas?


Conforme explicado no vídeo, as injeções intravítreas de antiangiogênico têm papel importante em doenças que antes frequentemente levavam a perdas visuais importantes. Entre as indicações mais comuns estão:

  • Degeneração macular relacionada à idade (DMRI) exsudativa ou úmida: ocorre quando vasos anormais se desenvolvem sob a mácula e podem vazar líquido ou sangue.

  • Edema macular diabético: complicação do diabetes em que há acúmulo de líquido na mácula.

  • Retinopatia diabética: em situações selecionadas, o antiangiogênico pode ajudar a controlar vasos anormais associados à doença.

  • Oclusões venosas da retina: quando uma veia da retina é obstruída, pode ocorrer edema macular e redução visual.

A indicação não depende apenas do nome da doença. O especialista avalia o exame ocular, a visão, a presença de líquido ou sangramento e exames de imagem, como a tomografia de coerência óptica (OCT). É esse conjunto que ajuda a definir se há necessidade de injeção, qual medicamento pode ser indicado e como será o acompanhamento.


Como a injeção intravítrea é feita, passo a passo?


O procedimento é planejado para reduzir desconforto e minimizar o risco de infecção. Primeiro, são aplicados colírios anestésicos. A anestesia é local: a pessoa permanece acordada, mas o objetivo é deixar a superfície do olho confortável para a aplicação. Em seguida, o olho e a região ao redor são cuidadosamente higienizados com antisséptico. A antissepsia com povidona-iodo é uma das medidas fundamentais de segurança para diminuir o risco de infecção intraocular.

Pode ser utilizado um pequeno dispositivo para manter as pálpebras afastadas. Isso ajuda a evitar que a pessoa pisque no momento da aplicação e permite que o médico trabalhe com mais segurança. A injeção não é realizada “pela frente” do olho, sobre a córnea ou na pupila. Como explicado no vídeo, a entrada é feita pela lateral, em uma região chamada pars plana, localizada um pouco atrás da parte colorida do olho. Trata-se de uma via usada justamente para acessar o vítreo sem atravessar a retina ou o cristalino.

A agulha é muito fina e o volume aplicado é pequeno — no vídeo, a comparação é com uma gota de medicamento. A aplicação propriamente dita leva apenas alguns segundos. Depois disso, a equipe orienta o paciente sobre o que pode acontecer nas horas seguintes e quais sintomas não devem ser ignorados.


A injeção no olho dói?


A experiência varia de pessoa para pessoa, mas a anestesia tópica existe para reduzir a dor. Muitas pessoas descrevem uma sensação rápida de pressão, ardor leve ou incômodo no momento da preparação, especialmente pela limpeza do olho, e não uma dor forte durante a injeção. O nervosismo antes do procedimento também pode fazer a sensação parecer mais intensa do que ela realmente é.

Após a aplicação, é possível haver visão embaçada por um período curto, sensação de areia, ardor, lacrimejamento, pequenos pontos flutuantes ou a percepção de uma bolha de ar. Também pode aparecer uma mancha vermelha na parte branca do olho por pequeno sangramento superficial. Esses achados podem ser incômodos, mas costumam ser transitórios. O National Eye Institute informa que muitas pessoas retornam às atividades habituais logo após o tratamento, embora a orientação individual do serviço que realizou o procedimento deva prevalecer.


O olho pode “vazar” depois da aplicação?


Essa é uma preocupação frequente. A injeção é feita com uma agulha muito fina e em um ponto escolhido para esse tipo de acesso ao vítreo. O olho não fica “vazando” após o procedimento. A técnica, o local de entrada e os cuidados de assepsia fazem parte da rotina da especialidade em retina. Ainda assim, como todo procedimento médico, a injeção intravítrea não é totalmente isenta de riscos; por isso, deve ser indicada, aplicada e acompanhada por equipe oftalmológica.

Complicações graves são incomuns, mas podem incluir infecção dentro do olho, inflamação importante, aumento da pressão ocular, sangramento vítreo, lesão de estruturas internas ou descolamento de retina. A possibilidade desses eventos é um dos motivos pelos quais as orientações após a aplicação e o acompanhamento não devem ser tratados como detalhes.


Quantas injeções são necessárias?


Em geral, não se trata de uma única aplicação. Como ressaltado no vídeo, o tratamento costuma envolver uma série de injeções e os intervalos podem aumentar progressivamente conforme a doença responde e permanece controlada. Isso não significa que todas as pessoas seguirão o mesmo calendário: a frequência é definida de acordo com o diagnóstico, a atividade da doença, a resposta ao medicamento, a visão e os exames de acompanhamento.

Em algumas situações, as aplicações são mais próximas no início. Depois, o especialista pode manter, ampliar ou ajustar o intervalo entre elas. Há pacientes que precisam de tratamento por tempo prolongado, enquanto outros podem ter períodos sem injeção, mas com vigilância regular. Interromper ou espaçar por conta própria pode permitir que o líquido, o sangramento ou os vasos anormais reapareçam; por isso, o comparecimento às consultas é parte do tratamento.


É preciso repousar depois?


Na maior parte dos casos, não é necessário repouso absoluto. A visão pode ficar temporariamente turva, principalmente logo após a aplicação, e isso merece atenção prática: se a visão não estiver confortável ou nítida, não é prudente dirigir. Algumas orientações podem variar conforme o medicamento usado, a condição do olho e a avaliação do médico.

De modo geral, é importante não esfregar ou pressionar o olho e seguir exatamente as recomendações recebidas no dia do procedimento. Não use colírios, antibióticos ou outros produtos por conta própria. Se já houver prescrição de medicações, siga a orientação individual. Também vale informar à equipe quais remédios de uso contínuo você utiliza e não suspender medicamentos sistêmicos sem orientação do médico que os acompanha.


Quais sinais de alerta exigem contato rápido com o oftalmologista?


Um desconforto leve, olho irritado ou visão um pouco embaçada logo após a aplicação podem acontecer. O ponto importante é observar a evolução. Procure orientação oftalmológica sem demora se houver dor forte ou que piora, redução visual progressiva, vermelhidão intensa, sensibilidade importante à luz, secreção, aumento repentino de moscas volantes, flashes luminosos ou sensação de cortina/sombra no campo visual.

Esses sintomas não confirmam, por si só, uma complicação, mas precisam ser avaliados porque podem estar relacionados a infecção, inflamação ou alteração da retina. Após uma injeção intravítrea, dor ou problema visual em piora não deve ser simplesmente aguardado em casa.


Fontes e referências


  1. Injections to Treat Eye Conditions — National Eye Institute (NEI).

  2. Injeções intravítreas: anti-VEGF, corticoides, indicações em retina, preparo, segurança e acompanhamento — Exame Ocular.

  3. Intravitreal injection technique and monitoring: updated guidelines of an expert panel — PubMed.

  4. Intravitreal Injections — American Academy of Ophthalmology.

  5. Quantas injeções intravítreas são necessárias? — Clínica Bulla.


conteúdo baseado na explicação em vídeo do Dr. Mário Bulla; CREMERS 28.120; médico oftalmologista e retinólogo; RQE 18.706.

Oftalmologista Clínica Bulla
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Clínica oftalmológica especializada no atendimento das doenças da retina: DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), edema macular, oclusão venosa, membrana epirretiniana, buraco macular, descolamento de retina, distrofias retinianas, retinose pigmentar, doença de Stargardt. Bem como realização de laser, injeções intravítreas de anti-angiogênico. Exames complementares: OCT, biometria com Iolmaster (ecobiometria), ecografia ocular, campo visual, PAM, microscopia especular, topografia corneana. Cirurgia para catarata: facoemusificação. Retinólogo.

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